Uma preocupação comum de quem passa a utilizar, deseja produzir ou apenas busca informações sobre a saboaria artesanal, é que os produtos sejam naturais e de boa qualidade. Afinal, quando se opta pelo caminho do consumo consciente de cosméticos, assim como acontece na alimentação, é de extrema importância saber quais os ingredientes e qual a origem daquilo que será consumido.

Tão logo se começa a estudar sobre sabões naturais, depara-se com um assustador e polêmico componente: a soda cáustica. Histórica e culturalmente, temos a ideia de que a soda, além de ser um componente ‘químico’, é de manipulação muito perigosa. De fato, seu contato direto com o corpo pode causar queimaduras, ferimentos, cegueira e até danos ao aparelho respiratório.

Mas o que é realmente a soda cáustica? Soda é o nome popular do Hidróxido de Sódio (NAOH), que ao contrário do que se pensa, não é um ácido, mas uma base – substâncias que misturadas à água liberam moléculas de hidrogênio e oxigênio. Ela tem origem em componentes milenares, conhecidos desde a antiguidade como lixívias cáusticas. Há registros históricos de que os egípicios já produziam sabões grosseiros utilizando esses componentes.

A soda como a conhecemos hoje, foi descoberta em 1750 pelo químico escocês Black e é resultado de reações químicas de soluções concentradas do sal de cozinha (cloreto de sódio). É, portanto, considerada um ingrediente de origem natural. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, cloro e Derivados (ABICLOR), a soda tem relevante papel no tratamento e prevenção de poluição de efluentes e rios.

Diz-se popularmente que a soda ‘dissolve’ gorduras, daí ela ter usos domésticos, como o desentupimento de encanamentos, por exemplo. Embora ‘dissolver’ não seja o termo mais correto a se utilizar, ela tem de fato o poder de reagir com as moléculas de gordura, e é desta a propriedade de que nos valemos para produzir o sabão.

Já detalhamos em outro texto sobre a definição técnica do sabão aqui. Mas em resumo, o sabão é o resultado da reação de um ácido graxo (óleos e gorduras) com uma base alcalina (hidróxido de sódio, potássio ou cinzas). Eis a chamada reação de saponificação. O sabão é um produto versátil com características moleculares de duplo polo. Em uma extremidade, suas moléculas são capazes de se combinarem e atraírem as impurezas (gorduras). Na outra, são capazes de se combinarem e atraírem a água.

Portanto, concluímos que não é possível produzir sabão sem o uso da soda ou outro agente alcalino que exerça sua função. Qualquer outro produto que não seja resultado desta reação não pode ser tecnicamente considerado sabão. Na saboaria natural a soda é parte essencial do processo de produção.

É importante ter em mente, que a soda, quando de boa procedência e pureza, se bem calculada, precisamente proporcionada e tendo seu tempo de cura respeitado, seu tempo de cura, irá reagir com os óleos e se transformar por completo em novos componentes, gerando produtos que promovem não apenas a limpeza, mas também a hidratação e manutenção da saúde da pele.